Lixo radioativo e a (in)viabilidade da energia nuclear

O vazamento de radioatividade da usina de Fukushima, devido aos desastres naturais do qual o Japão foi vítima recentemente, chamou a atenção de toda a comunidade internacional para os perigos inerentes ao uso da energia nuclear.
O drama japonês trouxe à tona, novamente, algumas preocupações relativas à segurança que estavam um pouco esquecidas desde o desastre ocorrido na cidade ucraniana de Chernobyl, há 25 anos. Mais do que o risco de acidentes envolvendo os reatores, o episódio ocorrido no país asiático colocou em cheque a validade de todo o processo de obtenção de energia por meio da fissão nuclear.
Nesse sentido, uma das questões que mais preocupa autoridades, ambientalistas e a população de uma maneira geral diz respeito ao destino dado aos resíduos gerados pelo funcionamento das usinas.
A operação de reatores como os que existem em Angra I e II gera refugos com baixa, média e alta radioatividade. Os dois primeiros tipos costumam ser armazenados em depósitos. O terceiro é estocado em piscinas. No Brasil, todo o material tem sido estocado na área das próprias usinas, o que nos leva a um cenário de limitação de espaço para acondicionamento do lixo nuclear.
O problema se agrava com a perspectiva de aumento da participação da energia nuclear na matriz brasileira. Tanto que as autoridades ambientais do País exigiram o início do processo de licenciamento de um depósito definitivo para os resíduos de baixa e média radioatividade e a apresentação do projeto de um depósito para resíduos de alta.
Por mais que especialistas afirmarem que nenhuma obra nesse sentido precisará ser entregue nos próximos sete anos, a questão não pode ser adiada. Isso porque projetos como estes são caros, complexos e demoram anos para serem concluídos.
Só para se ter uma idéia do tamanho do problema, o governo americano tenta, há 30 anos, construir um depósito definitivo para resíduos de alta radioatividade na montanha de Yucca, em Nevada. Orçado em US$ 100 bilhões, o projeto nunca saiu do papel.
A Suécia é o único país do mundo com um depósito definitivo para resíduos de alta radioatividade licenciado. O local, cuja operação deve começar em 2015, foi construído a 500m de profundidade, abaixo do nível do mar.
Ou seja, se o Brasil pretende efetivamente fazer uso da energia nuclear de forma mais expressiva precisa estar pronto para lidar com as demandas que ela traz consigo, principalmente os riscos. Resta saber se conseguiremos dar conta do recado. E mais, em um País com tantas fontes de energia renovável à disposição, o caso japonês deixa a dúvida se vale a pena seguir esse caminho.

Equipe ECO Business 2011

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